domingo, 19 de julho de 2009

O despeito


A Maria, a seu jeito singular, comentou, uma vez ,aqui -http://marianoreinodeesther.blogspot.com/2009/04/sozinho-hum-deixe-ca-ver-o-curriculum.html - esta temática, mais séria do que aparenta ser, no âmbito das relações humanas mais pessoais.


Pode considerar-se nos dias de hoje que quem tenha um relacionamento gratificante com alguém que efectivamente ame e o ame, tem um bem escasso.


Quando a pessoa da nossa relação é claramente aos olhos de muita gente vista como alguém especial, nós próprios, passamos a ser olhados como alguém que a par de outras coisas, é referenciada pelo afecto dessa pessoa particular.


Esta situação constitui não poucas vezes um obstáculo na gestão do dia a dia do casal.


É humano desejarmos para nós coisas boas, designadamente as que vemos presentes na vida de outros.


Mas quando esse desejo se torna despeitado e se alia a um quadro humano negativo de valores, os problemas, as intrigas, os enredos, as mais diversas formas destrutivas podem atingir ambos os pólos da relação, até mesmo aquele que é o objecto de disputa.


Muitas vezes sabe bem ao ego sentir o interesse de terceiro, por se achar que isso "vai apimentar" a relação, renovando os esforços do nosso par para "ganhar" os nossos afectos.


Contudo este é um jogo perigoso que às vezes se volta contra o próprio.


Paulo vivia com Regina há dois anos. Era ainda uma relação idílica , muito apaixonada.


Regina era daquelas mulheres que não deixava ninguém indiferente. A sua simpatia, a sua generosidade aliavam-se a um espírito arguto, porém compassivo e a uma beleza clássica muito particular.


Tinha o dom de fazer sentir o companheiro como o homem mais especial à face da Terra e eram efectivamente felizes.


Um dia Regina encontrou uma antiga colega de curso. Apresentou -a o marido. Falava dele como se descrevesse um raro favo de mel, sem compreender o que estava a semear no coração da amiga, ao torná-lo aos olhos dela tão especial.


As visitas a casa do casal passaram a ser constantes, repetidas.


Regina engravidou. Uma gravidez de alto risco que determinou Paulo a procurar alguém para se encarregar das tarefas da casa e de lhe ministrar algum apoio nas suas ausências.


A pretexto de estar desempregada a amiga da Regina disponibilizou-se insistentemente para a função.


Quando se apercebeu que Paulo amava a companheira, tentou matá-la. Para impedi-la foi Paulo quem perdeu a vida interpondo-se entre as duas.


Esta mulher vai ser submetida a julgamento num tribunal, quem sabe, perto de si...


Invocam a sua inimputabilidade penal por incapacidade psíquica.


Não sabia o que fazia ?!...


Os afectos são como tudo na vida. É preciso saber lidar com eles sem perder o equilíbrio.

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